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Conferência Internacional debate trabalho decente nas obras da Copa do Mundo FIFA 2026*

Dirigentes sindicais de vários partes do mundo estiveram reunidos nesta terça e quarta-feira , dias 8 e 9 de julho, na Cidade do México, para a “Conferência Sindical Internacional Trabalho e Desporto”. A atividade reuniu mais de 70 representantes de sindicatos da construção de 14 países da América Latina, Europa e outras regiões. O encontro discutiu estratégias para garantir condições de trabalho dignas e seguras nas obras relacionadas à Copa do Mundo FIFA 2026.

A conferência ocorre em um dos principais palcos do torneio: a Cidade do México, que será uma das sedes da Copa, com jogos previstos no Estádio Azteca, atualmente passando por reformas. Outras sedes mexicanas incluem Monterrey e Guadalajara, cujas obras também estão no radar das entidades sindicais.

Segundo Raimundo Ribeiro Santos Filho, o Bahia, presidente do Comitê Regional da ICM (@bwiglobalunion) para América Latina e Caribe e também do Sintrapav/PR, a atividade é parte de um esforço maior para monitorar as condições de trabalho e fortalecer o movimento sindical em torno de grandes eventos esportivos. “Estamos aqui para garantir condições de trabalho decentes, seguras e justas em todos os projetos de construção ligados à Copa do Mundo FIFA 2026 no México”.

Ele destacou os desafios históricos enfrentados pelo setor no México, como alta informalidade, baixa sindicalização e condições muitas vezes perigosas, e frisou que o trabalho sindical busca construir soluções conjuntas com governos, empresas e organizações internacionais para que o evento deixe um legado positivo.

Durante a conferência, os participantes estão trocando experiências sobre o que ocorreu em edições anteriores da Copa do Mundo, como na África do Sul (2010), Brasil (2014), Rússia (2018) e Catar (2022), além de já projetarem a articulação sindical para a Copa de 2030 (em Portugal, Espanha e Marrocos) e para 2034 (Arábia Saudita).

Raimundo também relatou os avanços na interlocução com a FIFA. “Fizemos uma nova visita ao Estádio Azteca, com representantes da FIFA que vieram especialmente para isso, além do gerente local do empreendimento. Tivemos acesso às obras e discutimos as condições de trabalho diretamente com o pessoal da FIFA”.

Segundo ele, essa abertura para diálogo é resultado de muita pressão sindical, superando resistências históricas da entidade. “Tivemos todo o impedimento da FIFA no início, mas conseguimos avançar. Estamos fazendo um trabalho grande aqui”, comemorou Bahia.

Além da conferência principal, o encontro no México também inclui outras atividades paralelas, como a reunião do Comitê Regional de Mulheres e do Comitê Regional de Jovens da ICM. Para os dias seguintes, estão previstas ainda discussões estatutárias e o planejamento do Comitê Regional da América Latina e Caribe, com foco nos desafios do movimento sindical e na preparação para o próximo Congresso da ICM, que será realizado no Brasil, em 2026.